Apenas três horas depois de o vídeo ir ao ar, o grupo de mensagens da Emma começou a bombar.
Uma jovem esteticista, de cara limpa no banheiro, mergulhou uma colher de chá em uma caixa de bicarbonato de sódio, misturou com água e deu leves batidinhas sob os olhos. “Rugas? Olheiras? Testa isso”, sussurrou, como se estivesse compartilhando contrabando. Emma assistiu, meio cética, meio fascinada. Aquela caixinha laranja ao lado do detergente de louça de repente pareceu… suspeitamente poderosa.
Naquela noite, em vez de cair no doomscrolling de comprinhas de skincare, ela ficou diante do próprio espelho com a mesma caixa na mão. O produto que ela costumava usar para tirar cheiro da geladeira estava prestes a tocar a pele mais fina do rosto. Uma parte dela se sentia ridícula. Outra parte dela sentia que talvez tivesse acabado de descobrir um segredo sobre o qual só insiders de beleza falam fora das câmeras.
E se a coisa mais barata do armário do banheiro realmente pudesse mudar o jogo?
Bicarbonato de sódio: da prateleira da cozinha para a bancada de beleza
Role o TikTok, o Instagram Reels ou os shorts do YouTube e você continua vendo a mesma coisa: bicarbonato de sódio polvilhado em cleansers, misturado em máscaras, aplicado com batidinhas sob olhos cansados. Especialistas em beleza, esteticistas faciais e até alguns dermatologistas de camiseta básica estão falando disso com a mesma mistura de cautela e empolgação que você esperaria de um novo sérum de luxo.
A ideia parece simples demais. Esse pó branco humilde, esquecido atrás do azeite, está sendo testado contra linhas finas que se abrem a partir dos cantos dos olhos e aquelas luas crescentes escuras e teimosas embaixo deles. O contraste entre o objeto e a promessa é o que fisga as pessoas. Alguns reais em vez de um creme para os olhos de 300 reais.
E aquela caixinha discreta guarda uma quantidade surpreendente de poder químico.
Pergunte a uma esteticista profissional sobre bicarbonato de sódio e muitas não vão descartar de cara. Elas vão falar da textura levemente abrasiva, em que partículas ultrafinas podem ajudar a polir células mortas grudadas na superfície. Vão mencionar o pH alcalino, que interage com o manto naturalmente levemente ácido da pele. Usado com cuidado, essa pequena mudança pode soltar temporariamente células opacas e ásperas que acentuam rugas e sombras.
Alguns especialistas juram ver efeitos de micro-refinamento quando clientes usam máscaras com bicarbonato de vez em quando, especialmente em peles mais grossas e oleosas. Os poros parecem menos entupidos, a luz reflete melhor na área abaixo dos olhos, e a região toda fica menos acinzentada e “cansada”. Uma esteticista de Londres me disse que seus clientes descrevem como um “filtro na vida real” quando funciona.
A verdade é mais complexa - e é aí que fica interessante.
Como um pó de despensa foi parar debaixo dos nossos olhos
Numa quarta-feira chuvosa em Paris, sentei em um estúdio minúsculo onde uma maquiadora preparava uma cliente para um ensaio. Entre pincéis e paletas, lá estava de novo aquela caixinha laranja e branca. “Para manhãs de emergência”, ela sorriu. Misturou uma pitada de bicarbonato em chá verde gelado, mergulhou dois discos de algodão, torceu e pressionou suavemente sob os olhos da modelo por menos de um minuto.
O objetivo não era um milagre. Era desinchar e iluminar rapidamente antes do corretivo. A modelo tinha chegado de avião durante a noite; os olhos estavam inchados, com um arroxeado leve ao redor. Depois da compressa, a pele parecia um pouco mais lisa, como se uma esfoliação suave tivesse desfocado as marquinhas mais superficiais. A cafeína do chá ajudou a reduzir o inchaço. O resultado não foi um lifting. Foi só o suficiente para fazer olhos cansados parecerem como se tivessem dormido uma hora a mais.
Esse tipo de mudança pequena e real é por isso que esse “truque” está começando a se espalhar além dos profissionais de beleza.
Clínicas dermatológicas não estão prescrevendo bicarbonato como se fosse um retinoide. Mas alguns médicos reconhecem o que praticantes vêm notando de forma anedótica. Uma pasta muito diluída de bicarbonato pode dar um polimento leve na pele, o que faz linhas finas parecerem menos marcadas à medida que a luz se dispersa de maneira mais uniforme. Olheiras causadas por opacidade superficial ou congestão leve - e não por sulcos genéticos profundos - podem parecer menos intensas quando a camada superior está mais lisa e limpa.
Também existe uma camada psicológica. Usar algo comum, barato e que já está em casa dá uma sensação de autonomia num mundo em que rotinas anti-idade muitas vezes ficam atrás de etiquetas caras. Você faz um pequeno experimento no próprio rosto, e essa autonomia soa estranhamente moderna.
Usando bicarbonato com segurança: o que especialistas realmente fazem
A maioria dos especialistas que admitem usar bicarbonato na rotina insiste em uma coisa: diluição. Eles não esfregam pó puro na pele delicada abaixo dos olhos. Em geral, usam meia colher de chá de bicarbonato e misturam com uma colher de sopa de água fria ou hidrolato, até formar um líquido ralo e turvo, e não uma pasta arenosa.
Eles usam as pontas dos dedos limpas ou um algodão para aplicar com batidinhas ao redor - nunca diretamente “dentro” - da área abaixo dos olhos. O contato é curto: 30 a 45 segundos para peles sensíveis, até dois minutos para quem sabe que tolera bem. Depois, enxágue cuidadoso com bastante água morna, seguido de um creme hidratante para a área dos olhos ou um hidratante simples sem fragrância, para restaurar o conforto.
Usado assim, no máximo uma vez por semana ou a cada duas semanas, muitos relatam um efeito sutil de suavização sem irritação dramática.
A maioria dos profissionais é direta sobre os riscos. O bicarbonato é alcalino, enquanto a barreira protetora da pele funciona melhor levemente ácida. Desbalanceie isso demais ou com frequência, e você fica com vermelhidão, repuxamento e até sensação de queimação. Os erros que eles veem repetidamente? Usar o pó direto da caixa, esfregar como esfoliante, deixar agir como máscara por dez minutos “para potencializar”, ou usar todo dia porque a primeira vez pareceu boa.
Num dia ruim, isso pode significar microdanos que pioram linhas finas e aquela textura “crepe” sob os olhos. Por isso, eles dizem para tratar bicarbonato como tempero forte na comida: um toque transforma o prato; demais estraga. Sejamos honestos: ninguém faz isso todos os dias.
Um dermatologista de Nova York resumiu para mim em uma frase:
“Bicarbonato sob os olhos está na mesma categoria dos peelings caseiros: interessante, potencialmente útil, mas só quando você respeita sua pele como um profissional respeitaria.”
Para deixar claro, aqui está como muitos especialistas classificam mentalmente essa tendência:
- Quem pode tentar: pessoas com pele mais grossa, não sensível, olheiras ocasionais, linhas finas leves.
- Quem deve evitar: quem tem rosácea, eczema, pele muito seca ou reativa, ou histórico de alergias.
- Frequência: no máximo uma vez a cada 10–14 dias, como um “polimento” breve, não como rotina fixa.
- O que combinar: hidratação calmante sem fragrância, FPS suave e, no longo prazo, ativos comprovados como retinol ou peptídeos.
- O que não esperar: rugas apagadas ou olheiras hereditárias desaparecendo. É um ajuste de superfície, não uma reescrita genética.
O que essa tendência realmente diz sobre nossos rostos e nossos medos
Em um nível mais profundo, a febre do bicarbonato é mais do que química. É sobre aquele momento cru diante do espelho, quando você se vê às 6h30 sob a luz implacável do banheiro e mal reconhece a pessoa encarando de volta. Todos nós já vivemos aquele momento em que as olheiras contam mais sobre sua semana do que uma agenda do Google. Pegar uma caixa da cozinha em vez de marcar uma consulta numa clínica parece um pequeno ato de rebeldia contra o tempo, o orçamento e os padrões de beleza.
Algumas pessoas tentam uma vez, veem uma melhora discreta e se sentem estranhamente mais leves. Outras irritam a pele e juram nunca mais. Em ambos os casos, elas assumiram o controle - mesmo que o resultado não seja perfeito como em revista. Talvez essa seja a parte mais interessante: a mudança de consumidor passivo de potes cheios de promessas para testador ativo de ferramentas simples. O bicarbonato vira símbolo, não apenas função.
Rugas e olheiras são histórias que sua pele conta: noites mal dormidas, genética, jantares salgados, estresse, às vezes doença. Uma colher de pó branco não vai reescrever essas histórias. Ainda assim, ela pode te levar a prestar mais atenção. Beber mais água. Dormir trinta minutos mais cedo. Questionar se toda “falha” realmente precisa ser apagada. E talvez esse pequeno empurrão - barato e nada glamouroso - seja o motivo de o bicarbonato ter entrado nos holofotes.
| Ponto-chave | Detalhe | Interesse para o leitor |
|---|---|---|
| O bicarbonato pode esfoliar suavemente | Partículas finas removem células mortas superficiais que acentuam linhas e sombras | Ajuda a entender por que a área abaixo dos olhos pode parecer um pouco mais lisa após o uso |
| Alto risco de irritação se usado incorretamente | O pH alcalino pode desregular a barreira da pele, especialmente na pele fina abaixo dos olhos | Incentiva uso cauteloso e ocasional, em vez de experimentos diários no estilo TikTok |
| Melhor como “reforço” raro e pontual | Muito diluído, pouco tempo de contato, seguido de hidratação e proteção solar | Oferece uma forma realista e mais segura de testar a tendência sem sacrificar a saúde da pele |
FAQ
- O bicarbonato é realmente seguro para usar sob os olhos? Em quantidades mínimas, bem diluídas e muito ocasionalmente, muita gente tolera, mas a área abaixo dos olhos é frágil; sensibilidade e ardor são possíveis, especialmente em pele seca ou reativa.
- O bicarbonato pode remover rugas e olheiras permanentemente? Não. Ele só pode suavizar um pouco a superfície e iluminar uma descoloração leve causada por opacidade; rugas profundas ou olheiras hereditárias exigem cuidados de longo prazo e mudanças de estilo de vida.
- Como devo misturar bicarbonato se eu decidir testar? Use cerca de meia colher de chá em uma colher de sopa de água fria ou chá sem açúcar, aplique de leve por menos de dois minutos, enxágue bem e finalize com um hidratante suave.
- Quais são os sinais de que não combina com minha pele? Se você sentir ardência, notar vermelhidão, repuxamento, descamação ou se as olheiras parecerem piores no dia seguinte, pare imediatamente e foque em cuidados de reparo da barreira cutânea.
- Existem alternativas mais suaves para o mesmo efeito? Sim. Procure produtos para a área dos olhos com ácido lático em baixa dose, cafeína, niacinamida ou peptídeos, além de compressas frias e sono consistente, que muitas vezes entregam resultados mais confiáveis com o tempo.
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